sábado, 23 de abril de 2016

PRESSÁGIO


Os canalhas na surdina
preparam
as nossas mortalhas.

sábado, 2 de abril de 2016

VISITA


VISITA

Entre,
não arrepare na desoedem,
o tempo anda escasso
e ainda sou desorganizado.
Se acomode, a casa é simples
mas o recebo de todo coração.
Onde tem andado?
Poderia ter dado notícias,
mandado carta,
telefonado,
enviado um e-mail.
O bom é que você veio,
estou feliz por isto.
Me dê um abraço,
vamos celebrar o nosso encontro,
bebendo uma taça de vinho
e brindar ao deus Baco,
provando que a vida é bela
apesar de tudo.

TEMPOS DIFÍCEIS



TEMPOS DIFÍCEIS

Nos dias de hoje não saia de casa,
não abra a porta,
não abra a janela
 Tome cuidado o inimigo te espreita na esquina,
ferozes, empunhando seus fuzis.
Vivemos tempos difíceis,
o! Quem  me dera ver aquela luz no fim do túnel!







SENTIDOS

SENTIDOS

Beber sua saliva,
cheirar seu hálito,
sentir o seu sexo latente
e cheio de volúpia
pronto para a cópula.





















SEM DESTINO




SEM DESTINO

Estou aqui parado aqui na BR,
esperando que alguém me dê carona.
Para onde vou? Sei lá!
Talvez pra onde o vento me leve.
Nas costas, a mochila,
velha e rota companheira,
onde carrego meus víveres,
e as sandálias já desgastadas pelo tempo,
velha companheira de viagem,
suportam o meu corpo.
Os carros passam apressados,
nada de atender ao meu aceno, deixe estar,
não tenho pressa.
E volto a acenar, e um velho Ford,
atende ao meu aceno,
lá vou eu, mundo a fora,
sem destino.
E volto a acenar, e um velho Ford
atende ao meu aceno,
lá vou eu, mundo a fora,
sem destino.

REQUIEM PARA O MONSTRO

RÉQUIEM PARA O MONSTRO

A quantas tragédias o Capitalismo ainda irá anunciar?
Sinto muito em te dizer: muitas ainda,
porque é desprovido de compaixão,
vende nas bolsas de valores os seu cadáveres,
nem se comoverá com o choro das viúvas e órfãos.
Anunciará um banquete para bendizer a sua usura,
e nada lhe interessa,
a não  o ser o famigerado lucro.








PEQUENO POEMA PARA GRANDES QUESTÕES


PEQUENO POEMA PARA GRANDES QUESTÕES

Que tens cidade que eu a amo,                     
se em ti mora todas as misérias humanas?





OS IPÊS DA MINHA CIDADE

                                                                    OS IPÊS DA MINHA CIDADE

Os ipês da minha cidade me enche de alegria e cor,
dá luz aos cinzentos paralepípedos.
Colore os corações embrutecidos,
e esperança aos desiludidos.







NEGAÇÃO


                                                                  NEGAÇÃO

Jamais comerei a hóstia dos infiéis,
e nem beberei o vinho dos hereges.
Jamais morrerei como Cristo na cruz,
para salvar os canalhas.
Quero a insanidade dos loucos,
que vão por aí,
a pregar a suas parábolas.




MULHER


MULHER


De onde vem essa força, que é capaz de se transformar em muitas?
Mulher é puro mistério, alma guerreira forjada na luta,
feminina por condição, materna por natureza,
por isso os  deuses lhe trazem loas.
Mulher esteio do mundo,
abrigo dos filhos perdidos que voltam pra
casa sedentos de aconchego."





MARGARIDAS

                                                    MARGARIDAS

Se matar uma margarida,
outras margaridas nascerão,
se calar uma margarida,
outras margaridas falarão,
se murchar uma margarida,
outras margaridas brotarão

LAMENTO


LAMENTO

O Rio Santo Antônio deságua nas minhas veias
e transborda no meu coração,
por isso minha saudade está inundada
de sonhos, e desejos de navegar.



DERRUBAR AS CERCAS


DERRUBAR AS CERCAS

Há muita fome no campo,
é preciso matar a fome,
mas não há terra na mão de quem planta,
é preciso conquistar a terra,
é preciso derrubar o latifúndio,

semear a esperança.

A MORTE DA POESIA

                            A MORTE DA POESIA

A poesia saiu a caminhar pela cidade e tinha chovido,
veio um carro em alta velocidade e jogou lama na poesia,
em seguida veio um carro velho e jogou dióxido de carbono na cara da poesia,
como vivia no mundo da lua, quase foi atropelada por um motoqueiro que a xingou:
-saia do meio da rua, filha da puta.
veio a bicicleta que desviou dela numa fração de segundos,
veio o cavaleiro esporeando seu animal e quase a pisoteou,
a moça que sonhava com seu namorado nem deu bom dia,
o político que cumprimentava seus eleitores, nem a reconheceu- poesia não dá voto.
A louca a falar mal dos problemas da cidade a xingava- vá caçar serviço sua vagabunda!
O policial quase a prendeu por vadiagem,
os cães a lambia,
o pedreiro nem dava importância, tinha paredes a levantar,
o gari quase a varreu,
o professor, imagine fez troça, afinal era de exata,
o homem de negócios a odiou,
não cogitava a hipótese de perder tempo
a municipalidade pensava seriamente em decretar a sua inutilidade pública,
e varrê-la através de decreto municipal para outras bandas.





















VEREDAS

                                                 VEREDAS



Grandes são os caminhos,
de estreitas veredas.
Grande ser tão veredas,
a palmilhar os ermos dessa vida.

TRISTE MADRUGADA

TRISTE MADRUGADA

Na madrugada de domingo
ele se enforcou.
Para ele não haverá mais  madrugada,
nem galos cantando.

RIO SANTO ANTONIO

RIO SANTO ANTÔNIO
O que sou, daquilo que sou?
Nada. Apenas um fiapinho 
da abundância que fui.
Estou fraco, esquelético,
estou sufocado, sem respirar com
as entranhas entupidas, estou dando o
último suspiro,
agonizo e me causa tristeza a indiferença
daquele que anos a fio carreguei no meu leito.
Por mim passaram os que abasteciam os armazéns.
Sobre o meu leito transportei o gado,
gente que chegava que partia,
gente que pescava pra matar a fome,
infelizmente não pude evitar a morte
daqueles que se aventuravam,
fui eu que na cheia fertilizava as margens,
abastecendo com fartura dos paióis,
aqui nasceu uma cultura, lenda, mitos
fui testemunha ocular da estupidez humana,
fui esse gigante esquecido e enjeitado
que carregou no seu bojo de forma generosa tudo isso,
só não se esqueça de uma coisa também,
se eu morrer, morrerão todos vocês.
                                                     


PROMETO

Prometo não ser o príncipe,
nem o sapo,
dos contos de fada.
Prometo ser o mais comum dos mortais,
mas um ardoroso e fiel companheiro
·          



                                                          PRIVATIZE

O meu coração não está a venda,
mas se o senhor capital, quiser,
 privatize o meu coração,
e negocie em qualquer bolsa de valor
espalhadas mundo a fora.






PEDIDO

Não me deixe esta noite,
o frio é cortante, a solidão atroz,
tome um vinho, ouça um blues,
apague a luz, dancemos.
A vida é curta, o amor chama,
então fique












O GATO DE ALICE

O gato de Alice
narciso,
enamorado da sua imagem
quis agarrá-la,
o espelho se quebrou
em cacos.
O gato de Alice,
chora em miaus.











MIRAGENS

Discos voadores  sobrevoavam o meu telhado
em voos rasantes,
noite bem escura, não havia estrelas,
 deuses desciam do olimpo para a assembleia geral
dragões vomitavam  suas labaredas de fogo,
 éguas no cio faziam a corte,
aos garanhões enlouquecidos,
e eu  nesse frenesi, pus a bordo de uma nave espacial,
fui viajar pras galáxias desconhecidas.



LIBELO

Graças dou a cor da minha pele,
ela é o manto que revela a minha alma.
 E vivas ao meu sangue que faz pulsar o meu coração,
sangue vermelho, sangue universal, de todas as raças e povos,
e salve todos os encontros,embora diferentes, sempre iguais.


,





DESERTO

Estou deserto,
perdido em mim mesmo,
grito no silêncio,
que ecoa  e esvai no vento,
surdos ais.










                                            CHEGADA DA PRIMAVERA

Espero que as flores da prima Vera,
desabrochem na primavera,
e que em todos os jardins,
renasça a esperança




 
CARLITOS

Vaga pelas ruas sem destino algum,
onde chegar é isso mesmo!
Carrega o fardo da sua miséria
 a solidão dos invisíveis.
Terno roto, gravata borboleta,
sapatos velhos de tantas andanças
pela cidade desprovida de compaixão,
e o que importa é que saber que na próxima esquina,
espera-te a florista,
que te dará uma flor,
enchendo o seu coração de esperança.
Vaga Carlitos, cumpre a sua sina,
só não perca a pureza,
que te faz o único.
Que outro Carlitos terá o seu inconfundível bigode?





.

                                                          BALADA PARA GAZA

Choramos por ti, ó Gaza
e pelos teus corpos crivados
 pela estupidez humana,
pelo sangue derramado de suas crianças,
Mandaremos flores para enfeitar seus funerais, ó Gaza
destroçada,
 cantaremos canções fúnebres,
para que nossos lamentos,
se façam ouvir,
nos corações embrutecidos dos facínoras.
















AVANTE



                                                               AVANTE

Desistir jamais,
avançar sempre.
Se há cercas retirá-las,
se há pedras, arrancá-las, se há escuro, clareá-lo
se há medo encorajai.
Por isso leais companheiros ,
avante,
a luta é árdua, sabeis,
mas a vitória é plena de gozo.