domingo, 30 de abril de 2017

A BELCHIOR

A BELCHIOR
Vá ser pasto para os vermes, poeta!!
Sabemos que a vida é melhor que a morte,
mas ela sempre nos honra com a sua presença.
Chorar o luto,
abraçar a dor, nos resta.
Então seguiremos por aqui, poeta,
fazendo versos,
vivendo a divina comédia humana,
até o dia em que seremos
pasto para os vermes!!

CAVALEIRO ANDANTE

CAVALEIRO ANDANTE
Somos cavaleiros andantes,
rasgamos estradas procurando utopias,
somos fieis escudeiros dos nossos sonhos,
espadachins de lutas visionárias,
desejos calejados, tragando a poeira
das estradas, sonhos urdidos 
 no coração, esse eterno cavaleiro,
de loucas aventuras!!

sábado, 29 de abril de 2017

SIMPLES ASSIM

SIMPLES ASSIM
Não trouxe champanhe e nem caviar, nem vinho Lambrusco e Gorgonzola, trouxe um litro de cachaça e linguiça calabresa. Comeram e beberam o seu banquete operário, naquela noite foram felizes do mesmo jeito

sexta-feira, 28 de abril de 2017

AS APARÊNCIAS ENGANAM.

AS APARÊNCIAS ENGANAM


Quando aproximei, ela assustou e protegeu a sua bolsa. Sou negro. Ela pensou que eu fosse ladrão.





quinta-feira, 27 de abril de 2017

FEMINICÍDIO




FEMINICÍDIO
Resistiu o quanto pôde, lutou até o último minuto para não deixar  que o seu corpo  fosse vilipendiado pelo facínora. Foram  os minutos  mais aterrorizantes de sua vida,  e depois do ato consumado ficou estendida no chão em estado de choque,  sangrando corpo e alma.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

EM APUROS



EM APUROS
Até que era compreensível o desespero dele; escritor em ascensão , há dias não conseguia escrever uma só  palavra, logo agora em que os leitores e a crítica esperam novos  e melhores trabalhos. Tomou um café, fumou um cigarro, resolveu sair  pela cidade para espairecer ou  quem sabe encontrava alguma coisa  que o motivasse ou inspirasse.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

CUIDADO

CUIDADO
Feche a janela , há uma profusão de raios, e eles  podem lhe atingir, prenúncio de tempestade. Tire a roupa, o calor está insuportável, tome um refrigerante, um suco, ou água gelada, ou espere que a chuva te refresque. Leia O Corvo, ao sentir as rajadas de vento na janela, e quando a chuva vier, fotografe a tempestade.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

ESTRIPULIAS



ESTRIPULIAS
A casa onde morava era grande, cujo nascimento se dera um dia depois de mudar para ela, casa de vários cômodos, típica casa de fazenda. Era sítio, herança da família, nesse lugar e arredores aprontou tudo o que pôde e quis, às vezes sozinho ou acompanhado  de outro pestinha.
Desde cedo tomou gosto pelos livros, frequentava a escola nos dois turnos, tamanha era o gosto pelos estudos. Os livros eram puro encantamento  e continua sendo até hoje, ficou deslumbrado quando ganhou do seu irmão mais velho o livro “As mais belas histórias”, livro de contos universais, cujo conto Ali Baba  e seus quarenta ladrões era de longe o preferido.
Era o persona non grata da vizinhança e arredores, onde dedos e olhos eram apontados.
Certa vez chegando em sua casa, uma senhora conhecida da família, de uma localidade mais distante que pediu um copo de água,  e a ele foi pedido  que buscasse a água, a trazendo  em um  copo de alumínio, de imediato sua mãe percebeu a traquinagem, o copo estava amarelo, era xixi, sua  mãe desfez o mal feito, dando um desculpa, indo providenciar outro copo de água, quando a visita foi embora, foi aquela surra.
Como de costume todo ano seu pai comprava foguete para homenagear Nossa Senhora Aparecida, comprou duas caixas e  as colocou por cima  do  guarda-roupa ao lado da cama de casal, como não deixava nada quieto, pegou um  foguete e acendeu, ficou apavorado, morria de medo de foguete, não hesitou, colocou debaixo do colchão vindo a estourar, causando barulho e buraco enormes. Escondeu em um chiqueiro de porco, vindo a ser encontrado pelo seu irmão já meia-noite, desta vez não apanhou.
Era contumaz em colocar cachorro nos gatos, certa vez os cães estraçalharam uma gata, teve muito remorso, cuidando por vários dias e torcendo pela recuperação da gata, para o seu alívio a gata não morreu.
Certa ocasião a sua professora, que não era mais a sua irmã, teve que faltar, indo substituí-la sua irmã, unindo a outro pestinha, quando do término da aula, puseram a jogar pedras nela e seus irmãos que estudavam na mesma escola, tiveram que correr muito para não serem atingidos pelas pedras, não sei  porque desta vez seus pais não ficaram sabendo, então não teve surra.
Fazia xixi nos outros, colocava cocô na boca dos outros e sem falar nas outras  coisas impublicáveis. O tempo passava, crescia, foi tomando juízo e recuperando o seu conceito diante dos vizinhos, tornou-se adulto indo enfrentar um novo mundo que se apresentava, era preciso.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

AVIÃOZINHO



AVIÃOZINHO
_Caralho, mas que tênis massa, meu!!!  Tamanho era o seu contentamento que se  não fosse o medo do ridículo, sairia  pulando pelas vielas da comunidade, tênis comprado com o dinheiro fruto do trabalho de aviãozinho. Só pensava em arrasar com as minas no baile funk e deixar os manos babando de inveja. Ia distraído quando em um cruzamento viu que dois policias o cercava, correu  não o suficiente para evitar o pior, recebeu pelas costas um rajada de balas, morreu segurando o seu par de tênis, que ficou todo desfigurado pelas poças de sangue.

CAIXINHA DE MÚSICA




CAIXINHA DE MÚSICA
Olhou para a caixinha de música em cima do criado-mudo, a muito tempo abandonada, lembrou da criança pura, inocente  que ficava horas a escutar a música e ver a  bailarina rodopiando, dos seus olhos saiu um filete de lágrimas, saudosa e desejando que o tempo retrocedesse.