quarta-feira, 31 de maio de 2017



MANIFESTO DE UM ARTISTA SEM PALCO

O artista está sem palco,
sem plateia,
sem aplausos,
o artista não tem  amigos no governo,
não tem parentes no governo,
então o artista se cala, emudece,
não há magia, encanto,
 ou noites de ribalta.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

AMIGOS

AMIGOS
Se pudesse prenderia 
Meus amigos dentro de uma redoma,
Porque amigos nunca podem
Estar longe,
Amigos têm que ser onipresentes,
Estar perto de nós,
A toda hora,
Todo dia.
Mas amigos voam,
E como os amamos,
Deixamos que eles voem.
Vão embora,
Ficam longe,
Vão navegar outros mares
Outras paragens,
Mas sei também que eles
Voltam
Mesmo que seja breve à volta,
Sempre será eterno o abraço.

SENHOR DE SI MESMO

SENHOR DE SI MESMO
Não me venha
com a dicotomia, Deus e o diabo,
o homem é senhor de si mesmo.

MAURICINHOS TIRANOS



Quando os mauricinhos se arvoram
em ser tiranos,
sentimos estalar em nossos corpos, coturnos burgueses,
choramos lágrimas lacrimogêneas
somos varridos feitos baratas ,
párias ,
apátridas em terra pátria,
somos guetos, esgotos,
emparedados por máquinas servis,
estamos sem rua, estamos sem cidade,
somos duendes, vagando no concreto da cidade
de déspotas.

sábado, 27 de maio de 2017

SAUDADE BREJEIRA
Era bonito de se ver, poeira levantando lá pelas bandas do ribeirão, eu já intuía, era boiada, e de onde estivesse corria para a varanda, para ver de mais perto, na estrada próximo à entrada do nosso pequeno sítio, ficava encantado de ver os bois andando em trotes, enfileirados. E o aboio dos vaqueiros? Como eram melodiosos e tristes!! Mas a boiada obedecia, parecia para o meu olhar de criança imaginativa, que boi tinha sentimento, tal era a calma que a boiada ia, calma que às vezes era quebrada por um boi rebelde, estourava, e todos o seguia, os boiadeiros valentes e acostumados a lidar com tal situação de novo colocava tudo em ordem. E ao longo da estrada a boiada ia desaparecendo, deixando-me saudoso de bois e aboios.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

POEMA INDIGNADO



POEMA INDIGNADO
Não me confies o papel ridículo de bobo da corte,
me falta graça, talento para bajulação,
digo e repito: cansei de exercer o papel da servidão voluntária,
quero mais é escrever os meus versos coloquiais,
sem rimas, versos livres e sem a pretensão de celebridade,
quero gritar ao mundo, e mandar todos para os quintos dos infernos,
e depois mandar beijos ardentes, abraços fraternos,
pedindo desculpas, amo todos vocês,
com recomendações para se agasalharem bem no frio.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

CASAMENTO HOMO AFETIVO




CASAMENTO HOMOAFETIVO
Era o assunto do dia, o escândalo do dia, em todas as rodas de conversa só se falava naquilo, “o mundo está perdido”, diziam todos, cidade pequena de costume e moral arraigados, contra aquilo iriam se mobilizar, e a dona do cartório sentia-se extremamente constrangida, nunca tinha passado por aquela situação vexatória, mas era preciso obedecer ao que rege a lei, então pela primeira vez na cidade escandalizada e indignada se realizaria o primeiro casamento homoafetivo.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

BICHO DO MATO









BICHO DO MATO
Cai a tarde e é pleno silêncio. Estropiado pelo longo dia d caminhada, ele olha a natureza inóspita, não tem ânimo e nem forças para sair daquele estado de letargia. Tarde de imenso calor, prenúncio de chuva. O que fazer se ela vier? Um gavião passa rasante, talvez na captura de algum roedor. Vem a primeira rajada de vento, os primeiros trovões, os primeiros raios, enfim a tempestade. Olha em volta, vê tocas de pedra, aonde em frenético galope vai se abrigar  nelas, como um bicho do  mato acuado e desprotegido.



domingo, 14 de maio de 2017

ESPERANDO O TREM



ESPERANDO O TREM

Todo o dia estava na estação de trem, na esperança que ele estivesse de volta, e quando o trem parava, ansiosamente o procurava entre os passageiros que desembarcavam, em vão. E então chorava copiosamente como fazia há anos.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

AS BARATAS



AS BARATAS
Tenho fama de louco, nada disso sou normalíssimo, fora dos padrões, talvez, ou será que as pessoas são comuns demais? Alguém na certeza irá se assustar quando passarem frente a minha casa de madrugada, e me ver caçando baratas, com vassoura piaçava, justifico: as danadinhas além de asquerosas, faz um barulho danado, atrapalhando sobremaneira o meu sono, então cheguei a uma conclusão: ou eu acabo com as baratas, ou as baratas acabam com o eu sossego.
Girvany11/05/2017