sexta-feira, 23 de junho de 2017

OBITUÁRIO

OBITUÁRIO
Comunicamos com pesar o falecimento do poeta Jurandir Gomes Almeida, conhecido pelo pseudônimo de Cornélio Pena, falecimento ocorrido ontem quando atravessava a rua em delírio poético, quando um carro em alta velocidade o atropelou, cujo motorista fugiu sem prestar socorro. Recomenda-se a todos que comparecerem ao velório e ao enterro que recitem poesias do referido poeta, como sabemos era mestre em fazer sonetos, embora em desuso o cultivou até o seu último suspirar poético.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

ALÍVIO



Acordou do sono profundo em que estava, acendeu a luz, olhou ao seu redor e tudo estava tão confuso, caótico. Acendeu um cigarro e depois de algumas tragadas, encostou em  um cinzeiro, abriu a janela e sentiu o sol  bater em seu rosto, sentiu um pouco de paz, como se algo o aliviasse  daquele estado de sonambulismo. Então colocou no toca disco A primavera das Quatro Estações de Vivaldi.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O PRIMEIRO LIVRO

O PRIMEIRO LIVRO
Quando ganhou o livro de contos universais, “As mais belas estórias”, cursava a quarta série, ficou deveras encantado, pois era a primeira vez que ganhava um livro, cujo o conto Ali baba e os seus quarenta ladrões, o deixou em estado de êxtase. Daquele dia em diante os livros seriam seus amigos inseparáveis.

domingo, 18 de junho de 2017

O MUNDO QUE LHE CABIA



O MUNDO QUE LHE CABIA
Não queria olhar além do mundo em que vivia. Causava aborrecimento. Então recolhia à sua caverna. Nada o impelia a sair daquele marasmo, era confortável. A claridade lhe causava medo e desconforto

sexta-feira, 16 de junho de 2017

JARDINEIRO CELESTE
Eu planto flores no céu,
louco,  muitos dirão,
sou jardineiro das galáxias,
imagino céus  coloridos,
chovendo flores,
sobre nós.



domingo, 11 de junho de 2017

SUBVERTENDO A QUADRILHA DE DRUMOND

SUBVERTENDO A QUADRILHA DE DRUMOND


João filho de Joaquim e de Margarida, nasceu, numa tarde chuvosa, em uma maternidade próximo a sua casa, prematuro ficou por alguns dias na maternidade, ganhando peso e resistência, viveu e cresceu cercado de muito carinho, teve uma adolescência livre dos arroubos comuns a tal idade, optou por estudar Jornalismo, foi na faculdade que conheceu Tereza, classe mé
dia como ele, filha de Jonas e Beatriz, nascida numa manhã ensolarada, em um dia de passeata contra a Ditadura Militar, e seus pais alheios aos problemas políticos e sociais, só queriam curtir aquela filha amada e desejada, criança tímida, fechada em si, não teve uma infância e adolescência como as outras crianças, já na fase adulta teve uma paixão avassaladora por Raimundo, pedreiro, filho de Carlos e Gorete, nascido no morro, vindo ao mundo pelas mãos da parteira Jussara, esse foi criança de verdade, brincou de bola de gude, empinou pipa, jogou bola na rua, pique esconde, fez todas as peraltices próprias de criança da favela, desde cedo teve que lutar pela sobrevivência, frequentou pouco a escola, vendeu picolé, limão no semáforo, algodão doce, servente de pedreiro e com o pedreiro mestre aprendeu a ser um também, foi quando trabalhou na casa de Maria, filha do General do Exército, Jonas Albuquerque e Escolástica,nascida numa noite chuvosa, no hospital do Exército, teve educação rígida, não se misturava a qualquer criança, estudou em uma escola Católica, onde aprendeu todas as coisas ensinadas às moças educadas ao casamento, e foi num domingo quando ia à missa viu Joaquim, filho de Carlos Eduardo e Cristina, nascido numa madrugada, no rigoroso inverno carioca de 1964, que desde cedo sofreu com a ausência dos pais, militantes de esquerda, que apareciam e desapareciam, como num passe de mágica, foi criado e educado pela avó, Dona Socorro, mulher guerreira, fez de tudo para que nada faltasse ao neto, não revelava ao neto, o real motivo da ausência dos pais, que despareceram de fato, cujo paradeiro Dona Socorro e Joaquim até hoje não obtiveram resposta. Joaquim cresceu, fez faculdade, teve uma paixão platônica por Lili, na verdade Eliete, filho de Arnaldo Soarese Débora, nasceu numa tarde chuvosa, desde cedo foi uma criança alternativa, questionava desde cedo as normas estabelecidas, dando muito desgosto aos conservadores pais. Viveu como quis, namorou quem quis, quando ficou sabendo do interesse de Joaquim, desconversou, imagine livre como era, nem queria ouvir falar em casamento, anos depois com medo da solidão, refez o seus conceitos, casou-se com J. Pinto Fernandes, homem sério empresário do ramo de móveis, filho de Arthur Pinto e Salete Fernandes, nascido no dia em que o governo militar decretou o AI-5, cuja mãe morreu devido a complicação do parto, o pai não quis saber mais de casamento, sempre ausente, coube a tia educá-lo, sendo ela de convicções severas, não teve regalias, tudo era controlado: além da escola regular, tinha aulas de judô, inglês, catecismo, sobrava pouco tempo para brincar, amigos eram poucos. A sua adolescência transcorreu da mesma forma, quando adulto optou por Administração de Empresas, passando em primeiro lugar no vestibular, numa das melhores universidades do Rio de Janeiro e mesmo sem formar assumiu os negócios da família, com a morte do pai.


quinta-feira, 8 de junho de 2017

ILUSÃO PERDIDA



ILUSÃO PERDIDA
Quase desmaiou quando viu o seu vestido de noiva, sonho quase realizado, casar com a pessoa que amava desde a adolescência. Casamento feito, festa bonita, noite de núpcias, sonho, puro encanto entregar-se ao seu homem. Tempo passou, os primeiros filhos, as primeiras desilusões, o seu homem a deixou por outra. Ficou sozinha cuidando dos dois filhos, costurado e bordando, sublimava a  ilusão perdida.

domingo, 4 de junho de 2017

CORAÇÃO POETA

CORAÇÃO POETA

Bate coração, o que te move?
Sangue? Sangue não, sangue é plasma,
no coração de poeta não cabe 
explicação lógica,
 movido a paixão e metáforas ,
o coração poeta é um itinerante navegar,
por mares e terras imaginárias,
o coração poeta está sempre a pulsar,
as intempéries desse bicho perigoso
chamado viver.