domingo, 11 de junho de 2017

SUBVERTENDO A QUADRILHA DE DRUMOND

SUBVERTENDO A QUADRILHA DE DRUMOND


João filho de Joaquim e de Margarida, nasceu, numa tarde chuvosa, em uma maternidade próximo a sua casa, prematuro ficou por alguns dias na maternidade, ganhando peso e resistência, viveu e cresceu cercado de muito carinho, teve uma adolescência livre dos arroubos comuns a tal idade, optou por estudar Jornalismo, foi na faculdade que conheceu Tereza, classe mé
dia como ele, filha de Jonas e Beatriz, nascida numa manhã ensolarada, em um dia de passeata contra a Ditadura Militar, e seus pais alheios aos problemas políticos e sociais, só queriam curtir aquela filha amada e desejada, criança tímida, fechada em si, não teve uma infância e adolescência como as outras crianças, já na fase adulta teve uma paixão avassaladora por Raimundo, pedreiro, filho de Carlos e Gorete, nascido no morro, vindo ao mundo pelas mãos da parteira Jussara, esse foi criança de verdade, brincou de bola de gude, empinou pipa, jogou bola na rua, pique esconde, fez todas as peraltices próprias de criança da favela, desde cedo teve que lutar pela sobrevivência, frequentou pouco a escola, vendeu picolé, limão no semáforo, algodão doce, servente de pedreiro e com o pedreiro mestre aprendeu a ser um também, foi quando trabalhou na casa de Maria, filha do General do Exército, Jonas Albuquerque e Escolástica,nascida numa noite chuvosa, no hospital do Exército, teve educação rígida, não se misturava a qualquer criança, estudou em uma escola Católica, onde aprendeu todas as coisas ensinadas às moças educadas ao casamento, e foi num domingo quando ia à missa viu Joaquim, filho de Carlos Eduardo e Cristina, nascido numa madrugada, no rigoroso inverno carioca de 1964, que desde cedo sofreu com a ausência dos pais, militantes de esquerda, que apareciam e desapareciam, como num passe de mágica, foi criado e educado pela avó, Dona Socorro, mulher guerreira, fez de tudo para que nada faltasse ao neto, não revelava ao neto, o real motivo da ausência dos pais, que despareceram de fato, cujo paradeiro Dona Socorro e Joaquim até hoje não obtiveram resposta. Joaquim cresceu, fez faculdade, teve uma paixão platônica por Lili, na verdade Eliete, filho de Arnaldo Soarese Débora, nasceu numa tarde chuvosa, desde cedo foi uma criança alternativa, questionava desde cedo as normas estabelecidas, dando muito desgosto aos conservadores pais. Viveu como quis, namorou quem quis, quando ficou sabendo do interesse de Joaquim, desconversou, imagine livre como era, nem queria ouvir falar em casamento, anos depois com medo da solidão, refez o seus conceitos, casou-se com J. Pinto Fernandes, homem sério empresário do ramo de móveis, filho de Arthur Pinto e Salete Fernandes, nascido no dia em que o governo militar decretou o AI-5, cuja mãe morreu devido a complicação do parto, o pai não quis saber mais de casamento, sempre ausente, coube a tia educá-lo, sendo ela de convicções severas, não teve regalias, tudo era controlado: além da escola regular, tinha aulas de judô, inglês, catecismo, sobrava pouco tempo para brincar, amigos eram poucos. A sua adolescência transcorreu da mesma forma, quando adulto optou por Administração de Empresas, passando em primeiro lugar no vestibular, numa das melhores universidades do Rio de Janeiro e mesmo sem formar assumiu os negócios da família, com a morte do pai.


Nenhum comentário: